MDB sai da retração, recompõe forças e projeta retorno ao centro do poder no Espírito Santo

MDB sai da retração, recompõe forças e projeta retorno ao centro do poder no Espírito Santo

Com executiva unificada e meta proporcional definida, MDB busca reconstruir densidade política e reposicionar-se no centro do tabuleiro capixaba.

A eleição da nova executiva estadual do MDB marca mais do que uma formalidade partidária. Representa um ponto de inflexão para uma legenda que já ocupou o centro do poder capixaba e que agora trabalha para reconstruir sua densidade política.

Houve um tempo em que o MDB chegou a eleger sete deputados estaduais, mantinha representação na Câmara dos Deputados, ocupava cadeira no Senado Federal e, naquele mesmo período, comandava o Governo do Estado. Hoje, não possui assento na Assembleia Legislativa, não tem representante na bancada federal e tampouco ocupa vaga no Senado. O contraste é expressivo e explica o movimento atual de reorganização.

O momento, no entanto, é de reconstrução.

Internamente, o partido trabalha com a expectativa de eleger até cinco deputados estaduais em 2026, caso consiga consolidar a atual densidade de pré-candidaturas e manter a unidade interna. A meta revela confiança e aponta para uma estratégia clara: retomar protagonismo proporcional como base para sustentar o projeto majoritário.

No centro desse processo está o presidente estadual da legenda, o vice-governador Ricardo Ferraço, pré-candidato ao Governo do Estado. Durante a convenção, Ricardo foi o principal ponto de convergência do evento. Lideranças regionais, delegados e dirigentes disputavam registros fotográficos e conversas rápidas. O ambiente era de proximidade e reafirmação de comando.

Ao seu lado, o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio, primeiro vice-presidente da legenda, também exerceu protagonismo evidente. Muito procurado por prefeitos, vereadores e lideranças municipais, Euclério circulou com desenvoltura, reforçando a imagem de articulação e fortalecimento regional.

O clima que se viu no evento contrastou com anos anteriores marcados por turbulências internas, disputas judiciais, impugnações e conflitos por direção partidária. O que se apresentou agora foi um MDB que busca virar a página e consolidar um ambiente de unidade.

A nova Comissão Executiva Estadual ficou assim composta:

Presidente: Ricardo Ferraço
1º Vice-Presidente: Euclério Sampaio
2º Vice-Presidente: Lelo Coimbra
3º Vice-Presidente: César Colnago
Secretário-Geral: Chico Donato
Secretário-Adjunto: Sérgio Borges
1º Tesoureiro: Renato Borges Serrano
2º Tesoureiro: José Maria Pimenta
1º Vogal: João Flávio
2º Vogal: Jesala Coutinho
3º Vogal: Luciano Salgado
4º Vogal: Marcos Coutinho
Secretária Especial da Mulher: Gracimere Gaviorno
Primeiro Suplente: Marilza Barboza Prado Lopes
Segundo Suplente: Ana Isabel Malacarne Oliveira
Terceiro Suplente: Rogério Athayde
Quarto Suplente: Ilma Chrizoztomo Siqueira

No campo majoritário, o MDB trabalha em duas frentes para o Senado: o próprio Euclério Sampaio e a ex-senadora Rose de Freitas, que busca retornar ao Congresso após não ter sido reeleita.

No plano proporcional, possíveis reforços como Mazinho dos Anjos, Vandinho Leite e Sérgio Majeski ampliam a competitividade da legenda.

Essa ampliação, contudo, também eleva o grau de disputa interna. Chapas mais densas tornam o coeficiente eleitoral mais exigente. Nos bastidores, lideranças como o ex-prefeito de Santa Maria de Jetibá, Hilário Roepke, avaliam o cenário com cautela diante da possibilidade de uma composição proporcional mais concentrada.

Em política, fortalecimento coletivo exige ajustes individuais.

O MDB tenta, neste momento, reconstruir três pilares: unidade interna, competitividade proporcional e viabilidade majoritária. Não se trata apenas de reorganizar uma direção partidária, trata-se de reposicionar uma legenda que já governou o Estado e que conhece o caminho do poder.

Depois de anos de instabilidade, o partido ensaia um novo ciclo. O ambiente de união visto na convenção não é apenas simbólico; é sinal de método. E método, em política, costuma anteceder movimento.

O MDB ainda precisa provar sua força nas urnas. Mas a reorganização interna indica que o partido deixou de olhar para trás e voltou a olhar para frente.

Partidos que já governaram sabem que o poder não desaparece, ele se reorganiza.

E quando a reorganização é estratégica, o retorno deixa de ser hipótese e passa a ser projeto.