Casagrande deixa o Governo, Ferraço assume o Estado e o Espírito Santo entra oficialmente no ciclo de 2026

Casagrande deixa o Governo, Ferraço assume o Estado e o Espírito Santo entra oficialmente no ciclo de 2026

Renúncia histórica projeta governador ao Senado e coloca Ricardo Ferraço no comando do Executivo em momento decisivo da sucessão

O governador Renato Casagrande confirmou, em coletiva à imprensa, que deixará o Governo do Espírito Santo no início de abril para disputar uma vaga ao Senado Federal nas eleições de 2026. O anúncio oficializa um movimento aguardado nos bastidores e inaugura formalmente o ciclo eleitoral no Estado.

A decisão tem peso histórico. Desde 1986 o Espírito Santo não presenciava a renúncia de um governador para disputar o Senado. Mais do que uma exigência da legislação eleitoral, o gesto reorganiza o centro do poder estadual e redefine o ambiente político capixaba.

Com a saída de Casagrande, o vice-governador Ricardo Ferraço assumirá o comando do Executivo estadual, passando a liderar a gestão em um momento estratégico da sucessão ao Palácio Anchieta.

Serenidade diante dos questionamentos

Durante a coletiva, o governador foi questionado sobre menções a conversas com o desembargador Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), citado em investigação conduzida pela Polícia Federal.

Casagrande respondeu com tranquilidade, reafirmando que os diálogos tiveram caráter institucional e negando qualquer irregularidade. Não houve tensão, nem evasivas. A postura foi de serenidade e controle, mantendo o foco na agenda administrativa e na transição de governo.

O tom adotado contribuiu para reforçar a imagem de estabilidade institucional no momento da decisão.

Março como mês de reorganização administrativa

A renúncia está prevista para o início de abril, obedecendo ao calendário eleitoral. Até lá, o mês de março será dedicado à reorganização do primeiro escalão do governo.

Cerca de dez secretários estaduais são pré-candidatos a deputado estadual ou federal e devem deixar seus cargos. Questionado pela reportagem sobre a definição dos substitutos, o governador afirmou que o trabalho de recomposição será iniciado agora, em conjunto com Ricardo Ferraço, com prioridade na continuidade administrativa.

A mensagem transmitida foi clara: preservar a eficiência da máquina pública e assegurar que a mudança no comando não gere qualquer descontinuidade nas políticas em andamento.

Ferraço no centro do tabuleiro político

Ao assumir o Governo do Estado, Ricardo Ferraço deixa de ser apenas o vice-governador e passa a ocupar o centro do tabuleiro político capixaba.

A visibilidade institucional do cargo, aliada à experiência acumulada no Executivo e no Legislativo, amplia seu protagonismo na construção do projeto sucessório para 2026. A transição fortalece a narrativa de continuidade e consolida o grupo governista como eixo organizador da disputa eleitoral.

Uma transição planejada

Em política, renúncias podem significar crise, ou estratégia.

Neste caso, o que se viu foi planejamento.

Casagrande projeta sua trajetória para o Senado.
Ferraço assume o comando do Estado.
O governo reorganiza sua equipe.

Não houve ruptura. Houve cálculo político.

O Espírito Santo não está diante de um encerramento de ciclo.
Está diante da redefinição de liderança dentro de um mesmo projeto.

E quando a sucessão começa sob o signo da previsibilidade e do controle institucional, o debate deixa de ser sobre instabilidade e passa a ser sobre quem terá força para conduzir o próximo ciclo que se abre no Estado.