Vitória avança em inovação com iniciativas que aproximam a cidade do futuro

Inovar é encontrar novas formas de resolver problemas, criar oportunidades e melhorar a vida das pessoas. Em Vitória, esse movimento ganha força com iniciativas que conectam poder público, universidades, empresas, empreendedores e comunidade. Nesse cenário, a Companhia de Desenvolvimento, Turismo e Inovação de Vitória (CDTIV) atua no fortalecimento do ecossistema de inovação, apoiando projetos, fomentando a ciência e criando conexões para transformar ideias em soluções.
Neste Dia da Inovação, a data é uma oportunidade para conhecer ações que mostram como a inovação pode sair do discurso e ganhar forma no cotidiano: nas escolas municipais, nos espaços urbanos, nos ambientes de empreendedorismo e na construção de uma cidade mais inteligente, inclusiva e sustentável.
Um espaço para conectar ideias e oportunidades
Desde 2022, a CDTIV opera no Centro de Inovação e Tecnologia de Vitória, em Goiabeiras. Em junho de 2026, durante o ESX, o Centro foi lançado oficialmente. O equipamento foi concebido para aproximar empresas, startups, universidades, pesquisadores, instituições e poder público, estimulando a colaboração, o empreendedorismo e o desenvolvimento de soluções inovadoras. Em 2025, o espaço ganhou um modelo de governança próprio, com fluxos, diretrizes de uso e normas de convivência, e avança na modelagem de sua gestão operacional.
O Centro também abriga parceiros que atuam no ecossistema, como a incubadora TecVitória e o Laboratório Urbano Vivo (LUV), iniciativa da Prefeitura de Vitória, com quem a CDTIV mantém termos de cessão e cooperação e um fluxo diário de pessoas e projetos. Mais do que uma estrutura física, o Centro representa um ambiente de conexão e experimentação.
O LUV é uma plataforma de inovação urbana que conecta cidadãos, empresas e governo para resolver desafios da cidade. A iniciativa dentre outros instrumentos para inovação na cidade, seleciona soluções por meio de chamamentos públicos. O chamamento 2025/01, recebeu 90 propostas de dez estados e investiu R$ 500 mil a até dez protótipos de R$ 10 mil e até quatro MVPs (versões mínimas viáveis) de R$ 100 mil, com foco em transformação urbana sustentável e na melhoria da jornada do cidadão nos serviços públicos. Entre os resultados já apresentados estão o mapeamento urbano automatizado por inteligência artificial, que cobriu cerca de 870 mil m² em cinco dias, e um sistema de monitoramento ambiental em tempo real, que já gerou mais de 2,8 milhões de registros. Em 2026, o chamamento 01/2026 prevê até R$ 1 milhão para selecionar dez soluções de R$ 100 mil cada, voltadas à adaptação climática e à qualificação do uso do espaço público.
A proposta é favorecer o surgimento de projetos, parcerias e novos negócios, fortalecendo a economia do conhecimento e ampliando as possibilidades de desenvolvimento para Vitória.
Soluções que chegam ao serviço público
Um exemplo é o desafio “Saúde em Casa”, proposto pela CDTIV em conjunto com a Secretaria Municipal de Saúde. A seleção resultou em uma maleta de telemedicina para atendimento médico e realização de exames no domicílio do paciente. A CDTIV foi pioneira na negociação de direitos de propriedade intelectual sobre a solução: a startup pagará royalties de 7% sobre o lucro líquido das vendas feitas exclusivamente ao poder público.
Ciência e tecnologia que começam na escola
A inovação também nasce da curiosidade de crianças e adolescentes. Por meio do Fundo Municipal de Apoio à Ciência e Tecnologia (Facitec), a CDTIV promove o Programa Municipal de Iniciação Científica Júnior (Pibic Jr.), que estimula estudantes da rede municipal a investigar problemas, desenvolver pesquisas e criar soluções.
Desde a primeira edição, em 2022, o programa apoiou 40 projetos, com 40 orientadores da rede de ensino e 260 estudantes bolsistas, do 6º ao 9º ano, incluindo a EJA. Entre 2022 e 2025, foram investidos R$ 557.800 no programa.
Em 2026, o edital do programa selecionou dez projetos e previu a concessão de 90 bolsas: 80 para estudantes e dez para orientadores. As iniciativas abrangem diferentes áreas, incluindo inteligência artificial, gamificação, educação inclusiva, sustentabilidade e tecnologias aplicadas ao ensino.
Em 2026, a CDTIV também lançou dois novos programas de fomento à iniciação científica, que começam a ser executados em 2027 e ampliam o alcance do Pibic Jr. para novos públicos. O Profiic Jr voltado ao ensino infantil e prevê 30 bolsistas por seis meses.
Entre os exemplos está o Edu Game PRVG, desenvolvido na EmefTI Paulo Roberto Vieira Gomes, em São Benedito. A plataforma utiliza recursos de gamificação para estimular a aprendizagem, a participação e a convivência escolar. A média de pontos negativos registrada pelo projeto caiu de 7,6 para 4,1, enquanto aproximadamente 80% dos estudantes alcançaram o chamado Passe Livre. Os dados são indicadores acompanhados pela escola e não permitem atribuir isoladamente as mudanças ao projeto.
Outro destaque é o Semáforo do Som, desenvolvido por estudantes da Emef Izaura Marques da Silva, em Andorinhas. A iniciativa reúne oito estudantes bolsistas e um voluntário na criação de um dispositivo capaz de identificar níveis de ruído e sinalizar, por meio de cores, quando o som está adequado ou excessivo. A proposta surgiu de uma necessidade real do ambiente escolar e busca contribuir para a concentração, o bem-estar e a inclusão.
Os projetos mostram que a iniciação científica vai além do aprendizado teórico. Ao identificar problemas, investigar possibilidades e desenvolver protótipos, os estudantes exercitam criatividade, pensamento crítico, colaboração e protagonismo.
Formação e mobilização do ecossistema
A formação de servidores também faz parte da estratégia. Em parceria com a TecVitória, a CDTIV realizou o Programa GPS da Inovação que contou com oficinas como “Caminhos para Inovação no Serviço Público”, “Metodologias Ágeis”, “Foco no Usuário” e “Linguagem Simples”. O GPS da Inovação, também contou com programação quinzenal com ferramentas de inovação para servidores, transforma esse conteúdo em pílulas de conhecimento. Na rede municipal, professores também foram capacitados para desenvolver projetos de iniciação científica.
Vitória marca presença nos grandes encontros do setor. Na edição de 2025 do ESX (Espírito Santo Innovation Experience), a CDTIV participou com patrocínio e estande institucional, em um evento que reuniu mais de 20 mil participantes, mais de 300 startups expositoras e R$ 50 milhões em rodadas de investimento. No mesmo ano, o Congresso Capixaba de Cidades Digitais e Inteligentes reuniu 558 inscritos de 53 municípios.
Também no atendimento ao empreendedor, a Sala do Empreendedor, implantada pela Prefeitura por meio do Programa Cidades Empreendedoras, elevou o Índice de Capacidade de Estímulo ao Empreendedorismo (ICEE) de Vitória de 6,7 para 9,2.
Posicionamento de Vitória nas cidades inteligentes
Vitória vem se consolidando no cenário nacional de cidades inteligentes e competitividade urbana. Em 2025, a cidade ficou em primeiro lugar no ranking geral do Connected Smart Cities (CSC). Em 2026, foi eleita a cidade mais competitiva do país no Ranking de Competitividade dos Municípios, do Centro de Liderança Pública (CLP).
A CDTIV também tem ampliado a participação da equipe em programas e seminários internacionais sobre cidades inteligentes. Em junho de 2026, a diretora de Inovação, Bárbara Ohanna Moreira, e a subsecretária de Compras e Licitações, Magna Maria Socha, participaram do programa City Leaders, da University College London (UCL), no Reino Unido.
No mesmo mês de junho de 2026, a Prefeitura, através da Secretaria de Gestão e Planejamento também participou do Seminário China-Brasil sobre Cidades Inteligentes, com a presença do subsecretário de Planejamento e Gestão Estratégica, Marcus Gregório Serrano, e da gerente de Parcerias Público-Privadas, Samyra Gomes da Fonseca.
No cenário nacional, a CDTIV e a PMV marcaram presença na Rio Innovation Week 2026. Vitória também estará presente com estande no Cidade CSC 2026, em São Paulo, de 16 a 18 de novembro.
No campo normativo, a CDTIV conduz a modernização do Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação de Vitória, que compara a Lei nº 3.763/1991 com uma nova proposta e tem como referências as experiências de Florianópolis e Curitiba.
Para a diretora de Inovação da CDTIV, Bárbara Ohanna Moreira, esses resultados refletem um trabalho de longo prazo:
“Vitória ocupa hoje posições de destaque em rankings nacionais porque tem feito o trabalho de longo prazo: medir, experimentar, formar pessoas e abrir espaço para quem quer construir soluções com a cidade. Esses resultados são motivo de orgulho para a equipe, mas o que mais importa é o que eles significam para quem vive em Vitória: serviços melhores, escolas que aprendem com a ciência e um ambiente em que novas ideias encontram apoio para sair do papel.”
Um ecossistema conectado para inovar
O fortalecimento da inovação depende também da articulação entre diferentes iniciativas e instituições. Nesse sentido, o Observatório de Inovação de Vitória, iniciativa da CDTIV, contribui para mapear os atores, projetos e oportunidades que movimentam o ecossistema local.
A CDTIV também formalizou protocolos de intenções com o HUB TEIA da Caixa Economica Federal, com a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e com a Rede ABBA, para desenvolver programas e projetos conjuntos de inovação social e desenvolvimento sustentável.
A proposta é ampliar a visibilidade das iniciativas, facilitar conexões e favorecer a colaboração entre poder público, setor privado, instituições de ensino, ambientes de inovação e comunidade empreendedora.
Essa articulação ajuda a criar condições para que ideias encontrem parceiros, projetos ganhem novas possibilidades de desenvolvimento e soluções inovadoras contribuam para o crescimento econômico e social do município.
Inovar para transformar o futuro
As iniciativas mostram que inovação não se resume à criação de novas tecnologias. Ela também está na capacidade de ouvir a população, reconhecer desafios, testar ideias, aprender com os resultados e construir soluções em conjunto.
Para o diretor-presidente da CDTIV, Jairo Fernandes Siqueira, fortalecer a inovação significa conectar conhecimento, oportunidades e desenvolvimento para a cidade.
“Quando aproximamos a ciência, a tecnologia, o empreendedorismo e o poder público, criamos condições para transformar desafios em oportunidades. A inovação acontece quando as ideias encontram espaço para serem desenvolvidas, testadas e aplicadas, gerando benefícios concretos para as pessoas. É esse movimento de conexão e transformação que queremos fortalecer em Vitória”, destaca.
Neste 19 de outubro, o Dia da Inovação reforça a importância de continuar investindo em conhecimento, criatividade e colaboração. Em Vitória, esse trabalho se traduz em iniciativas que estimulam novos talentos, aproximam instituições, apoiam a experimentação e abrem caminhos para soluções capazes de transformar a cidade.

Jornalista, Gestor Público, Especialista em planejamento e gestão estratégica e atua como empresário na área de comunicação, publicidade e marketing político.






