A crise da paternidade e suas consequências sociais

A crise da paternidade e suas consequências sociais

Por Coronel Wagner

Uma pesquisa encomendada pela FAP – Fundação Astrojildo Pereira, realizada pela consultoria AP Exata e publicada pelo Poder360, analisou meio milhão de publicações feitas por jovens de 16 a 30 anos nas redes sociais ao longo de um ano. O estudo revelou um padrão significativo: à medida que envelhecem, os jovens brasileiros tendem a se afastar da esquerda. Muitos migram para o centro, tornam-se mais céticos ou se mostram desiludidos com a política.

Segundo os dados, a esquerda é mais popular entre os adolescentes de 16 a 18 anos — 44,5% desse grupo se identifica com esse espectro ideológico. Esse dado, porém, revela mais do que uma simples preferência política: ele aponta para algo mais profundo. Leva-nos a refletir sobre a estrutura emocional e espiritual das famílias brasileiras.

Vivemos uma época marcada pela ausência de paternidade, mesmo com pais ainda vivos. Aquele modelo de criação familiar que existia há 40 ou 50 anos parece ter se perdido. Em muitos lares, o foco deixou de ser a família e passou a ser o sucesso profissional ou financeiro.

Deixo aqui uma pergunta para você, leitor:
“Há quanto tempo você não se senta à mesa com toda a sua família para desfrutar de uma refeição?”

Os problemas culturais e ideológicos enfrentados pelo Brasil nos últimos anos têm, entre suas raízes, a desestruturação das famílias. Isso resulta em uma juventude ideologicamente confusa, emocionalmente fragilizada e pouco comprometida com o desenvolvimento pessoal, econômico e social.

As consequências são visíveis: aumento da criminalidade, colapso da saúde mental, comportamentos agressivos, eleições vencidas por políticos corruptos, pais matando filhos e filhos matando pais. É possível que você esteja pensando agora em muitos outros efeitos negativos gerados por essa ausência paterna tão presente.

Mas a pergunta que deve ecoar em nossos corações é:
“O que você, como pai ou mãe, está disposto a sacrificar para que seu filho não faça parte dessa estatística de degradação social pela qual o Brasil está passando?”

Cobramos constantemente ações do governo para resolver os conflitos sociais. No entanto, como sociedade, muitas vezes negligenciamos nosso papel essencial: educar e preparar nossos filhos para um mundo onde as diferenças sejam respeitadas, onde o trabalho seja sinônimo de dignidade, onde a liberdade de expressão seja regra, e onde o amor a Deus esteja acima de tudo.

É tempo de parar, refletir e mudar a rota da nossa educação familiar. Somos, como famílias, direta e indiretamente responsáveis pelo caos social que vivemos. Afinal, todo criminoso um dia foi uma criança inocente, que talvez tenha crescido sem direção, sem referência paterna e à mercê de ideologias que promovem a destruição dos valores.