Do campo à Grande Vitória: por que Evair de Melo deve ser o próximo senador do Espírito Santo?

Do interior à metrópole: a trajetória que faz do deputado federal de terceiro mandato o nome da direita capixaba para o Senado.
Na leitura deste analista político, atento a cada movimento do tabuleiro capixaba, a força do agro, o aval da direita nacional, o arrasto da chapa maior, Evair Vieira de Melo será, amanhã dia 04 de outubro, um dos dois senadores da República eleitos pelo Espírito Santo.
A entrada tardia que virou avalanche
Quem acompanhou os últimos 45 dias de campanha não tem dificuldade em enxergar o desfecho. Evair entrou na disputa na reta final do calendário eleitoral e vem crescendo na mesma velocidade em que o nome dele passa a ser repetido em cada cidade, em cada feira, em cada mesa de café do interior. Por onde se anda no Espírito Santo, se ouve falar de Evair e se vê o apoio se converter em engajamento, em estrutura, em previsão de vitória.
A origem simples
Filho de pequenos agricultores, nascido na comunidade de Santa Luzia, em Conceição do Castelo, Evair fez da agricultura não apenas um ofício, mas um projeto de vida. Técnico agrícola formado pelo Ifes, administrador de empresas e MBA pela Fundação Getúlio Vargas, ele construiu a carreira exatamente onde o estado mais precisava de competência: no campo. Foi secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Venda Nova do Imigrante por oito anos e, entre 2009 e 2014, presidiu o Incaper, período em que também presidiu o Conselho Nacional das Entidades de Pesquisa Agropecuária (Consepa), projetando o nome do Espírito Santo no agro nacional.
Em Brasília, a projeção nacional
Eleito deputado federal em 2014, reeleito em 2018 e em 2022, quando conquistou a maior votação da sua trajetória, mais de 75 mil votos, Evair se consolidou como o principal defensor das pautas do agronegócio no Legislativo capixaba. Foi vice-presidente e, desde 2024, presidente da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, eleito em chapa única. Foi vice-líder do governo Jair Bolsonaro na Câmara e coordenou a Frente Parlamentar da Agropecuária. É dessa soma de gestão estadual e protagonismo nacional que nasce a sua autoridade e é por isso que a eleição de amanhã soa, no estado, menos como uma aposta e mais como uma consequência.

O aval que nenhum outro conseguiu
Conservador, de direita e filiado ao Republicanos, Evair carrega o que nenhum outro candidato ao Senado capixaba reuniu neste ciclo: o aval pessoal de Jair Bolsonaro. O ex-presidente gravou um vídeo afirmando que, se Evair viesse a ser candidato ao Senado, estaria do lado dele “vindo ou não para o meu partido”. E Evair veio: veio candidato, e veio justamente pelo Republicanos, provando que o respaldo do ex-presidente era pessoal, não partidário. Ao longo da campanha, o apoio se ampliou e se formalizou: o senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República, declarou apoio à candidatura em evento oficial e gravou um vídeo veiculado nas redes e no programa eleitoral, endossando o nome de Evair para o Senado. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também gravou um vídeo falando diretamente aos capixabas e manifestando seu apoio. Endosso pessoal gravado pelo próprio Jair Bolsonaro é um ativo que apenas um nome nesta disputa conquistou e a chapa de Evair conta, ainda, com o peso de todo o Republicanos e do PL.

O senador do Pazolini
A aliança com a força do momento capixaba completa o desenho e vai além da afinidade política. Evair e Lorenzo Pazolini são do mesmo partido: o Republicanos é a casa dos dois, e a candidatura do senador nasce dentro do próprio projeto do governador. Ao lado de Erick Musso, presença constante em todas as articulações da campanha, Evair deu sustentação à caminhada de Pazolini, que percorreu todos os cantos do estado na disputa que está sendo travada palmo a palmo contra o atual governador Ricardo Ferraço. Quem levou Pazolini a cada cidade, quem abriu as portas do interior, quem desenhou a geografia dessa candidatura foi Evair de Melo. E quem anda ao lado do nome que mais mobiliza o eleitorado para o governo colhe, naturalmente, o reflexo dessa força: o candidato ao Senado que caminha junto à chapa majoritária sai ampliado, puxado pela mesma maré que chega à urna cheia de energia. No caso de Evair, a lógica é dupla: ele não apenas se beneficia do arrasto, ele ajudou a construí-lo. Dito de outra forma: Evair é o senador do Pazolini, o arquiteto por trás do principal fenômeno eleitoral capixaba de 2026 e amanhã o eleitorado devolve o favor em urna.

O desafio vencido: a Grande Vitória
Mas o maior desafio da candidatura era outro, e Evair o venceu com a mesma competência que marca a sua trajetória: conectar o interior à Grande Vitória. A região metropolitana concentra praticamente metade do eleitorado capixaba, Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica, Viana, Guarapari, e nenhum nome se elege senador apenas com o voto do campo, por mais sólido que ele seja. O movimento de Evair foi o contrário do que se esperava de um candidato de origem rural: começou no interior e terminou na Grande Vitória, consolidado por apoios importantes, costurados partido a partido, liderança a liderança, a prefeita da capital marchando com ele, Pazolini o puxando por toda a região metropolitana, deputados e candidatos, vereadores, pastores, lideranças comunitárias, além dos partidos que integram a coligação e principalmente o apoio do povo. Foi uma troca bem costurada: Evair levou Pazolini ao interior, e Pazolini o referendou na Grande Vitória. A raiz deu o volume; a metrópole dará a vitória.
O que as pesquisas não capturam
As pesquisas finais refletem bem o sentimento do estado: Evair aparece tecnicamente empatado na briga pela segunda vaga, mesmo depois de entrar na disputa quando os adversários já rodavam há meses. Mas há um dado que os institutos não capturam e que o interior capixaba conhece bem. O voto de Evair está no interiorzão do estado, na zona rural, nos municípios pequenos e médios onde o nome dele é sinônimo de agro, de credibilidade e de presença real. As pesquisas não mostram essa força e é justamente dali, da raiz, que virão os votos que transformarão o empate técnico em vitória.
A chapa que leu o jogo primeiro
O primeiro suplente é o empresário de Aracruz Dant Nicchio Sathler, do PL; o segundo, o vereador de Vitória Luiz Emanuel, do Republicanos. Não por acaso: foi o próprio Luiz Emanuel quem, antes mesmo do anúncio e ou decisão da candidatura, gravou vídeos defendendo que Evair deveria disputar o Senado, leitura correta do momento político que, nas contas de quem acompanha de perto, ajudou a concretizar a decisão.
Acredito que Amanhã, o Espírito Santo irá eleger Evair de Melo senador da República. O homem que veio do campo, que levou a agricultura capixaba a Brasília, com reconhecimento nacional preside a Comissão de Agricultura na Câmara e que ajudou Pazolini a se interiorizar fora da Grande Vitória, conquistará a sua cadeira no Senado Federal.

Jornalista, Gestor Público, Especialista em planejamento e gestão estratégica e atua como empresário na área de comunicação, publicidade e marketing político.






