Por que Lula voltou ao poder? A memória curta e as narrativas que dominam o Brasil
Por Coronel Wagner
Em 2018, o Brasil parecia ter aprendido uma lição dolorosa. Após anos de escândalos de corrupção, prisões de grandes empresários e políticos, e uma das maiores operações anticorrupção do mundo — a Lava Jato —, muitos acreditavam que o país estava prestes a mudar.
Porém, poucos anos depois, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou ao poder, mesmo após ter sido condenado por corrupção e lavagem de dinheiro. A pergunta que muitos fazem é: como isso foi possível?
A resposta passa por três fatores principais: a manipulação narrativa, a falta de memória histórica e a politização da justiça.
Durante seus mandatos, Lula foi o principal beneficiário de esquemas como o Mensalão — que comprava votos de parlamentares em troca de apoio político — e o Petrolão, o maior escândalo de corrupção já descoberto no país, envolvendo bilhões desviados da Petrobras.
Empresas como Odebrecht e OAS alimentavam um sistema que drenava o dinheiro público para financiar poder e perpetuar um projeto político.
Mesmo assim, com o passar do tempo, parte da população “esqueceu”. E esse esquecimento não foi natural — ele foi construído.
A estratégia foi transformar o criminoso em vítima. Lula passou a ser retratado como perseguido político, e muitos aceitaram essa narrativa sem questionar os fatos. A verdade foi substituída por versões emocionais, espalhadas pelas redes, pela imprensa e por influenciadores pagos com dinheiro público. O povo, cansado da crise e sem referência sólida de valores, se deixou levar pela promessa de “voltar a ser feliz”.
A sociedade brasileira, infelizmente, é vulnerável às narrativas mentirosas porque não cultiva senso crítico nem valoriza a verdade. Muitos votam movidos pela emoção, não pela razão.
A educação política é fraca, e o debate público é raso. O eleitor médio raramente lê uma decisão judicial, um orçamento público ou uma lei — mas acredita cegamente no que vê em um vídeo de 30 segundos.
O resultado é o que vemos hoje: um país governado por quem já destruiu sua própria credibilidade, sustentado por uma parcela da população que prefere o conforto da mentira à responsabilidade da verdade.
O Brasil só mudará quando o povo entender que a corrupção não tem lado, e que um voto tem mais poder do que qualquer discurso político.
Enquanto a memória for curta e a consciência for manipulada, a história seguirá se repetindo — e sempre com os mesmos protagonistas.
“Enquanto a mentira for mais confortável que a verdade, o Brasil continuará nas mãos erradas.”

31 anos de serviço público. Ex-comandante dos Bombeiros em diversas cidades do ES, ex-secretário de Defesa Civil, perito em emergências e gestor público. Criador do projeto Mãe Prevenida, que já capacitou mais de 42 mil mães. Cristão, conservador e defensor da liberdade de expressão.


