Diligência em Pedra Azul: A Luta pela Ordem nas Montanhas Capixabas em 1960

Diligência em Pedra Azul: A Luta pela Ordem nas Montanhas Capixabas em 1960

Por Cícero Modolo

A história da diligência em Pedra Azul, localizada no município de Domingos Martins, no Espírito Santo, em 1960, reflete um período marcado pela necessidade de restabelecer a ordem em uma região que enfrentava problemas com bandoleiros, roubo de gado e cavalos. Naquela época, a área era um ponto estratégico, com suas montanhas e florestas, esconderijos naturais para grupos fora da lei que aterrorizavam a população local.


Contexto da Época

Nas décadas de 1950 e 1960, o interior do Espírito Santo viveu um cenário de tensão crescente. As comunidades rurais eram frequentemente alvo de bandidos que saqueavam fazendas e vilas, roubando animais, alimentos e outros bens essenciais. A ausência de uma presença policial efetiva em áreas mais afastadas agravava a situação, gerando medo e insegurança.


A Intervenção Militar

Em 1960, sob o comando de um soldado da Polícia Militar do Espírito Santo, Florêncio Walcker, mais conhecido como “Boca Rica”, foi organizada uma diligência específica para Pedra Azul.

A missão era clara: desarticular os bandos criminosos que operavam na região, restabelecer a segurança e proteger os fazendeiros e moradores locais. As operações contavam com estratégias de patrulha e emboscadas em pontos estratégicos.

O soldado Florêncio Walcker, à frente da operação, destacou-se pela disciplina e determinação em resolver o problema de forma definitiva. Relatos orais indicam que a ação policial foi energética, mas também buscou o apoio da comunidade, criando uma rede de informantes que ajudaram a desvendar o crime. Entre eles, apareceu o açougueiro Flauzino Fazolo, conhecido como “Neném Fazolo”.


Resultados da Diligência

A diligência liderada por Florêncio Walcker consolidou-se como uma operação marcante na história da região. O militar se destacou pela disciplina rigorosa e pela busca implacável de justiça, enfrentando com firmeza os bandidos que aterrorizavam a comunidade local.

Além da força policial, a operação contou com a colaboração ativa da população. A rede de informantes desempenhou papel crucial na localização dos criminosos, com destaque para Flauzino Fazolo. Sua participação foi vital, mas a relação com Boca Rica culminou em um episódio de tensão: após uma discussão acalorada, o informante foi detido e encaminhado à delegacia de Campinho, no centro de Domingos Martins.

Essa diligência não apenas reprimiu os crimes na região como também reforçou a confiança da comunidade na atuação da polícia, encerrando um ciclo de medo e restabelecendo a paz.


Legado

O legado de Boca Rica é lembrado como símbolo de coragem e determinação, valorizando a disciplina e o respeito, sendo considerado por muitos um herói das Montanhas Capixabas.

Há registros de sua atuação em diversos municípios do Espírito Santo, sempre cumprindo ordens de seus superiores em nome da Polícia Militar do Estado. Boca Rica era conhecido por sua defesa intransigente da moral, do traje e da honra, buscando proteger os costumes e a integridade das comunidades em que atuava.