Rafa Bala abre o jogo no Sala de Decisão: dos 40 anos de política ele comemora a renovação que sacudiu o ES: “tô feliz, aos 70 anos, de acreditar que vai ter debate e política de verdade”

Carlos Rafael, um dos nomes mais experientes da gestão pública capixaba, avalia o momento em que o Espírito Santo vive, critica os 24 anos do mesmo grupo no poder, comemora a renovação nas urnas e diz que ainda tem muito a contribuir
Quase com 70 anos, que irá completar em 19 de novembro, Carlos Rafael, o Rafa Bala, é daqueles personagens que carregam o Espírito Santo na pele: nasceu no distrito de Lagoa Seca, no Alegre, foi taxista, caminhoneiro, gerente de concessionárias, advogado, contador, agricultor, um dos fundadores do Sicoob, presidente do Ceasa e da Junta Comercial, diretor da Assembleia Legislativa e passou pela Banestes Seguros. No episódio 011 do Sala de Decisão, ele abre o jogo sobre a eleição que considera histórica, revela o prognóstico que fez em off antes do primeiro turno e deixa a frase que resume sua ambição: “Competência, vontade, conhecimento, experiência, gestão. Eu tô pronto pra ser governador desse estado. Só me falta ter voto.”
O apelido que virou nome começou na infância, pela agilidade de quem decidia rápido: “balinha”, depois “bala”, até virar Rafa Bala “uma bala da paz”, garante. Mas a trajetória que ele conta no programa é muito mais do que um apelido. Filho do sul capixaba, mudou-se adolescente para Vila Velha, quando ainda não havia ponte, e forjou a vida entre o comércio, o direito e a terra. Foram 22 anos em Pedro Canário, onde ajudou a emancipar o município, criou cooperativa, foi diretor da usina e participou da fundação do Sicoob “sucesso no Brasil todo, no mundo todo”, resume.
A política chegou pela militância de base: 40 anos construindo partido, andando município por município, “muito cafezinho, muita água na garrafinha dentro do carro”. No PSB desde sempre, trabalhou com Renato Casagrande, Luiz Paulo, Bragato e Paulo Hartung, passou pela Assembleia Legislativa, pelo DNPM, pela autarquia que implantou os polos industriais (ele foi o primeiro a interiorizar, em Baixo Guandu), até presidir o Ceasa e a Junta Comercial, onde enfrentou o maior desafio da gestão moderna: digitalizar tudo durante a pandemia. “O convencimento ficou pela solução”, conta.
Sobre a eleição, Rafa Bala não esconde a ousadia. Antes do primeiro turno, dizia aos amigos que a disputa estadual poderia ser definida já na primeira rodada, faltou pouco. E avisou: a oposição venceria o grupo que está há 24 anos no poder. “Eu falava: no Espírito Santo vai ganhar a oposição. Quem não quis me ouvir, paciência.” Para ele, o resultado expressivo é explicado pelo cansaço: “Tem os benefícios das entregas, mas o povo quer sonhar, quer viver. Ninguém lembra de obra nenhuma. Um governo de 24 anos não consegue passar emoção.”
A renovação também é motivo de entusiasmo. Com mais de 50% de renovação na Assembleia e 70% na Câmara dos Deputados, com apenas três reeleitos, ele celebra: “Tô feliz, aos meus 70 anos, de poder acreditar que vai ter debate, que vai ter política, não vai ter imposição.” E faz uma ressalva à nova fase: “Não perca a essência do ser humano, do contato. A internet veio, mas quem quer continuar na política e nos negócios precisa humanizar a campanha.”
As críticas ele também não poupa. Para Rafa, o desenvolvimento do estado nunca teve “visão estadual, foi de grupo”; agricultura e turismo ficaram devendo; e a saúde ainda obriga gente a viajar 300, 400 km por uma consulta. “Não precisamos de sensação de segurança, precisamos de segurança. Não precisamos de sensação de educação, precisamos de educação. Temos que sair da sensação para a realização”, dispara. Ele ainda alerta para o lado humano da tecnologia: “Quando você manda nove de dez empregados embora, mandou nove famílias embora. Quem vai pagar essa conta?”
Na despedida, Rafa anuncia que vai se desfiliar do PSB após as eleições “com muita tristeza, mas com a certeza de que fiz minha parte” e que seguirá militando em um novo partido: “Não vou aposentar. Estou disposto a recomeçar nesse mundo novo.” E deixa a lição de quem já viveu muito: “Todo mundo vai e tenta. O difícil é voltar de cabeça em pé, olhar no olho da pessoa e saber que você errou por erro, não por má intenção.”
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O episódio completo está no canal SALA DE DECISÃO no YouTube: CARLOS RAFAEL – EP #011 (https://youtu.be/7NDIzW5DHJc).
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Jornalista, Gestor Público, Especialista em planejamento e gestão estratégica e atua como empresário na área de comunicação, publicidade e marketing político.






